A abstenção de eleitores com mais de 70 anos caiu quase 10 pontos percentuais no primeiro turno das eleições em Salvador e Bahia, segundo levantamento do Movimento Voto 70+, uma iniciativa da sociedade civil que defende a participação política dos idosos. Em 2022, o percentual de eleitores nessa faixa etária que não votaram era de 58,8%, mas em 2026, caiu para 49,1%.
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Os dados foram coletados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e revelam uma tendência positiva de participação dos idosos na política, em um cenário de expansão do eleitorado de mais de 70 anos, que passou de 14,9 milhões para 17,2 milhões de pessoas aptas a votar. Em Salvador e Bahia, essa tendência é ainda mais nítida, com a participação de eleitores idosos crescendo consideravelmente.
A pesquisadora Adriana de Queiroz, do Data8, centro de pesquisa sobre a economia da longevidade, explica que o estudo identificou três perfis entre os eleitores 70+ que deixariam de votar ou não tinham certeza se iriam comparecer às eleições: o eleitor com “baixa autoestima política”, que acredita que seu voto não faz diferença; o eleitor que considera que o resultado da eleição não terá impacto sobre sua vida; e o eleitor que deseja votar, mas enfrenta barreiras físicas.
Para a idealizadora do Movimento Voto 70+, Cléa Klouri, o aumento do comparecimento representa um avanço importante, porque é um sinal de que o envelhecimento não significa afastamento da vida política. “Estamos falando de uma geração que ajudou a construir o país e que continua tendo muito a contribuir para as decisões sobre o próprio futuro”, afirma.
No segundo turno, o Movimento Voto 70+ promoverá a campanha Vovó Vota, que propõe aproximar netas e avós durante as eleições, visando enfrentar as barreiras que contribuem para a abstenção feminina, como dificuldades de mobilidade e ausência de redes de apoio.



