A Casa de Apostas Arena Fonte Nova, em Salvador, foi palco de uma cena marcante. Após a vitória do Esporte Clube Bahia por 3 a 2 contra o Internacional na 25ª rodada do Campeonato Brasileiro, aproximadamente 180 mulheres permaneceram reunidas em um setor das arquibancadas para protestar contra a violência doméstica. Esta ação, que visa chamar a atenção para um fenômeno alarmante, mostra que para muitas mulheres, o estádio é mais seguro do que a própria casa em dias de partida.
Detalhes
A ação do Esporte Clube Bahia busca conscientizar torcedores e a sociedade sobre a realidade que muitas brasileiras enfrentam. De acordo com o estudo Futebol e Violência contra a Mulher, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os casos de lesão corporal por violência doméstica aumentam 28,8% em dias de jogo. As ameaças também registram uma alta significativa de 27,4%.
Entre jovens de 15 a 29 anos, o aumento de notificações de ameaças e lesões corporais chega a 44% em dias de partida. A pesquisa também aponta diferenças no impacto da violência ao analisar os dados sob um recorte racial: mulheres brancas têm um aumento de 30,9% em registros de lesão corporal e 36,2% em agressões em dias de jogo, enquanto mulheres negras registram um aumento de 23,2% em denúncias de lesão e 14,6% em denúncias de agressão.
Em termos de cronograma, os picos de ameaças acontecem principalmente às segundas-feiras, domingos e sextas-feiras, enquanto as lesões corporais têm maior incidência nos domingos e sábados. Diante deste diagnóstico, o estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública elencou dez recomendações fundamentais para clubes, federações e autoridades, desde a implementação de postos permanentes de acolhimento e registro de ocorrências até a criação de programas de formação emocional e social de jovens torcedores.



