Maria Isabel Regueira, de 60 anos, uma das principais suspeitas de integrar um esquema bilionário de fraude no IPTU em Salvador, foi presa no último sábado (19), logo após desembarcar de um voo vindou da Espanha no Aeroporto Internacional Salvador. A captura, realizada pela Polícia Civil (PC), elevou para cinco o número de prisões preventivas decorrentes da Operação Valor Venal.
Detalhes
A consultora Maria Isabel Regueira, apontada como integrante do núcleo de chefia, era responsável pela articulação geral e formalização de contratos ilícitos. As investigações detalham a divisão de tarefas dentro do grupo criminoso, que inclui Lavínia Maria Valle Oliveira, Jeã Nascimento Moreira, Cláudio Luiz de Oliveira Pinto Passos e Mariuza de Carvalho Souza.
Como funcionava o esquema: o grupo mirava donos de imóveis de médio e grande porte, especialmente em bairros nobres e empreendimentos comerciais de Salvador. Os despachantes captavam os interessados, que eram direcionados às consultoras para firmar acordo. Em seguida, dados cruciais como o ano de construção e características estruturais eram adulterados no sistema da Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz). Com as modificações, o valor venal das propriedades despencava, em alguns casos, a redução chegou a 90%, gerando uma cobrança de IPTU muito abaixo da legalidade. As consultoras ficavam com a maior fatia dos pagamentos feitos pelos contribuintes.
A apuração revela que as fraudes ocorreram entre dezembro de 2024 e janeiro de 2026, afetando cerca de 700 imóveis. A diferença entre o valor real e o fraudado ultrapassa R$ 1,2 bilhão, resultando em uma perda de arrecadação de aproximadamente R$ 20 milhões para o município. A Sefaz informou ao g1 que abriu sindicância interna, os cadastros foram revertidos e os valores do IPTU foram recalculados para cobrança correta dos contribuintes.



